Confira a programação do carnaval de rua em São Paulo

Um dos destaques é o desfile de blocos LGBTs entre o sábado (10) e terça-feira (13). “Agora tem uma alegria não vista, com mais diversidade”, diz organizador do Bloco da Gaymada
por Felipe Mascari, da RBA publicado 08/02/2018 11h57, última modificação 08/02/2018 12h44
FERNANDO PEREIRA/SECOM

carnaval de rua sp.jpg

Novamente, a maioria das folias estão concentradas nas regiões centro e oeste da capital paulista

São Paulo – A programação oficial do carnaval de rua de São Paulo, iniciada na semana passada, prevê cerca de 200 blocos desfilando entre sexta-feira (9) e terça-feira (13). Novamente, grande parte da folia está concentrada nas regiões central e oeste da capital. A programação completa pode ser conferia abaixo.

Com potencial para agradar a todos os públicos, a programação tem blocos de música pop, como o Meu Santo é Pop, rap (Beat Loko), sertanejo (Pinga Ni Mim), pagode (Lua Vai) e até de punk: o Bloco 77,  que passará pelo bairro de Pinheiros toca músicas da cena punk nacional em ritmo de carnaval.

Entre os principais blocos que sairão este ano nos cinco dias oficiais da festa popular. estão o Ilú Obá De Min, na sexta e no domingo; o Tarado Ni Você, no sábado; Domingo Ela Não Vai e o Vou de Táxi, ambos no domingo; Pinga Ni Min, segunda-feira; e Vai Quem Qué, terça.

Blocos LGBT

Neste ano, 36 blocos LGBTs sairão pelas ruas da capital paulista – dez a mais que em 2017. Entre eles, o Bloco da Gaymada SP estreia na programação da cidade. Segundo o jornalista e organizador do Gaymada, Lucas Galdino, o crescimento mostra que a festa dos dias de carnaval tem grande identificação com a comunidade LGBT.

“Carnaval é LGBT, as pessoas têm de entender isso. Nossa comunidade faz o carnaval acontecer, se não seria algo maçante. Só ver as marchinhas antigas, que eram machistas, racistas e ‘LGBTfóbic’. Agora tem uma alegria não vista, com mais diversidade”, afirma.

De acordo com o ativista, os blocos também servem para desassociar a comunidade gay das festas noturnas, trazendo-a para os espaços públicos. Para Lucas, isso torna a folia um ato político. “Nosso evento já é (político) só pelo fato nós sairmos de dia com salto, brinco e maquiagem. Só de sermos quem nós somos, felizes ao ar livre, já possui essa mistura da luta com a folia. Tudo que fazemos é político. Falo como homem gay, mas o mesmo se aplica para travestis, trans e lésbicas”, acrescenta.

Além da Gaymada, os blocos LGBT que aguardam maior público são: Bloco Agrada Gregos e o Minhoqueens, no sábado; o Bloco do Desmanche, no domingo; a Love Fest, na segunda; e o Sai, Hétero!, na terça-feira.

Confira abaixo os horários e locais de concentração dos blocos que sairão em todas as regiões da cidade a partir de amanhã:

blocos_sp2018b (1).jpg

http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2018/02/confira-a-programacao-do-carnaval-de-rua-em-sao-paulo

_____________________________________________________________________________

Confira 10 protestos em forma de marchinhas e sambas-enredo deste carnaval

Letras vão de críticas às reformas de Temer a protestos contra os prefeitos Marcelo Crivella, do Rio, e João Doria, de São Paulo
por Redação RBA publicado 08/02/2018 14h35, última modificação 08/02/2018 16h17
REPRODUÇÃO/VILA ISABEL

temer carnaval.jpg

Em 2017, o ‘Fora, Temer’ esteve estampado no tamborim da bateria da Vila Isabel e foi entoado por cordões, blocos, trios elétricos e escolas de samba pelo país

São Paulo – Com o cenário político turbulento, marchinhas e até sambas-enredo se politizaram no carnaval deste ano. Com críticas às reformas de Temer e a figuras políticas, como os prefeitos Marcelo Crivella (Rio de Janeiro) e João Doria (São Paulo), a folia também se mostra um espaço de luta.

Os blocos de rua cada vez mais se firmam como palcos de manifestações. O Comuna Que Pariu, no Rio de Janeiro, protesta contra a reforma trabalhista e da Previdência. Ainda na capital fluminense, o Simpatia É Quase Amor, que desfilou na semana passada, ironizou a gestão de Marcelo Crivella. Já em São Paulo, Doria é criticado na marchinha intitulada Prefake, do Bloco do Fuá.

De acordo com Tiago Rodrigues, trompetista do bloco Orquestra Voadora, o modelo de financiamento do carnaval carioca feito pela gestão Crivella é uma ameaça à festa tradicional. “A gente faz tudo por conta própria, temos um auxílio da Secretaria de Cultura do estado, mas isso não paga nem metade dos custos. Fazemos vaquinha, vendemos camisetas, nos viramos, mas muitos ainda têm que tirar dinheiro do bolso. E como resposta temos que cumprir mais e mais exigências sem dinheiro”, explica em entrevista ao Brasil de Fato.

Algumas marchinhas estão fora das ruas, mas fazem sucesso na internet. São canções que satirizam políticos, como a Bolsomico que diz ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) “ir embora, sair correndo para a aula de história”. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também é um dos “homenageados”. “Eu tô em cana, vem me soltar”, cantam.

Confira 10 letras das músicas de carnaval que farão a crítica política com alegria neste ano:

1. Bloco do Fuá

Com o tema Humanicidades: carnavalizando essa zona toda e derretendo a Doriana no asfalto, o Bloco do Fuá ocupa as ruas do Bixiga, no centro de São Paulo, no próximo domingo (11), às 15h (confira aqui a programação completa do carnaval de rua paulistano). A composição da marchinha Prefake é de Marco Ribeiro e Adriano Filho e faz críticas ao prefeito João Doria (PSDB).

Não atrapalhe o nosso carnaval 
Não ponha regras na folia
Tudo o que você faz É muito mal
É coisa que eu não faria
Tudo o que você faz É muito mal
É coisa que eu não queria

(refrão)
Prefake, Prefake
Prefake de uma figa
Prefeito, Defeito 
Perfeito de mentira

A cidade não está a venda
Ela não é mercadoria 
Doriana vai derreter Vai Vai
No asfalto do Bixiga

(refrão)
Prefake, Prefake
Prefake de uma figa
Prefeito, Defeito
Prefeito de mentira

Quero a cidade mais humana 
Quero toda essa alegria 
Vamos carnavalizar E deixá-la
Muito mais colorida

2. Comuna que pariu

O tradicional bloco carioca Comuna que Pariu desfila na próxima segunda-feira (12), saindo da rua Rua Alcindo Guanabara, no centro do Rio, a partir das 15h. O tema do enredo de 2018 é Cadê o futuro que estava aqui? O patrão comeu, com críticas às “reformas” trabalhista e da Previdência, proposta por Temer. A composição é de Alisson Martins, Belle Lopes, Bil-Rait “Buchecha’, Guilherme Sá, Letícia, LG, Nina Rosa, Tiago Sales e Thiago Kobe.

Eu vim daqui, eu vim dali, eu vim de lá
¨Foratemer¨ e Crivella , tô na rua pra lutar

Além da dor, também nos une o amor 
Chegou Comuna, bando de trabalhador

Lá vai em cada isopor
O sonho, o suor, feijão e arroz do camelô
Que tá cansado de vender
Pra quem não cansa de comprar
E camelô representa todo mundo que não vai se aposentar
A gente é o rato que roeu a roupa do rei de Roma
Supremo é ter o povo no poder
Dá cá o nosso, se não der a gente toma

A Maluca me embalou (Me embalou)
A Comuna que pariu (Que Pariu!)
Revolução e carnaval
É coisa nossa, nossa classe construiu

E agora, Maria? E agora, José?
Roubaram teu sono, venderam tua fé
Futuro, promessa, passaram a mão
Na bunda da população
Vambora Maria, vambora José
Viver pra mudar nossa história
Vermelha vitória, desbanca burguês
Ó nós aqui outra vez

http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2018/02/confira-10-protestos-em-forma-de-marchinhas-e-sambas-ennredo-deste-carnaval

____________________________________________________________________________

Liminar do TJ-SP proíbe desfile do bloco Porão do Dops

Juiz determinou que Douglas Garcia Bispo dos Santos e Edson Salomão se abstenham de utilizar expressões, símbolos e fotografias que possam ser claramente entendidas como apologia ao crime de tortura
por Redação RBA publicado 08/02/2018 20h07, última modificação 08/02/2018 20h08
REPRODUÇÃO
bloco porao do dops.jpg

Porão do Dops: magistrado determinou que réus se abstenham de fazer ‘apologia ao crime de tortura’

São Paulo – O desembargador José Rubens Queiroz Gomes, do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu na tarde de hoje (8) decisão liminar favorável ao grupo Tortura Nunca Mais e outras 24 entidades, e proibiu o desfile do bloco carnavalesco “Porão do Dops”.

Em seu despacho, o magistrado determinou que “os réus Douglas Garcia Bispo dos Santos e Edson Salomão se abstenham de utilizar expressões, símbolos e fotografias que possam ser claramente entendidas como ‘apologia ao crime de tortura’ ou a quaisquer outros ilícitos penais, seja através das redes sociais, seja mediante desfile ou manifestação em local público, notadamente através do bloco carnavalesco”.

Ele salientou ainda que sua decisão tem natureza preventiva e não implica em censura prévia à livre manifestação do pensamento, que sempre poderá ocorrer na forma da lei, sujeitando-se os infratores à responsabilidade civil e penal por cada ato praticado.

E esclareceu que o propalado bloco carnavalesco tem inscrição na comissão competente na prefeitura de São Paulo e por isso não poderá desfilar em área ou via pública. Em caso de descumprimento da liminar, foi estipulada multa diária de R$ 50.000,00.

Na petição ao desembargador, os advogados Ariel de Castro Alves e Lucio França, que representaram o Grupo Tortura Nunca Mais e demais entidades de defesa dos direitos humanos, destacaram casos de ex-presos políticos que foram torturados pelo delegado Fleury e pelo Coronel Ustra, como a jornalista Rose Nogueira, Anivaldo Padilha e Maria Amelia Teles, entre outros, que se sentiram aviltados com a iniciativa do bloco que exalta torturadores e assassinos do regime militar.

“Os ex-presos políticos ajudaram a redigir o documento que foi entregue ao desembargador”, disse Ariel de Castro Alves.

O coronel Ustra foi declarado torturador oficialmente pela Justiça brasileira em 2008, num julgamento neste próprio Tribunal de Justiça de São Paulo, devido a uma ação declaratória movida pela família de Maria Amélia Telles, defendida pelo professor Fabio Konder Comparato.

O delegado Sergio Fleury foi condenado, em 1972, por ser o chefe do Esquadrão da Morte – do que se orgulhava –, em ação movida pelo então procurador Hélio Bicudo. Toda a imprensa nacional e internacional noticiou esse fato.

Os dois são reconhecidos por praticarem crimes de tortura, morte e desaparecimento forçado tanto no Doi-Codi, comandado pelo coronel Ustra, como no Dops, que pertencia à Polícia Civil na qual o delegado Fleury e sua equipe submetiam os presos a sessões de pau-de-arara e choques elétricos, muitas vezes até a morte.

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2018/02/liminar-do-tj-sp-proibe-desfile-do-bloco-porao-do-dops